Nômades da Desolação – Parte 12

Nômades da Desolação - Parte 12

– E eu sei disso porque fui eu quem o criei – disse Gerion.

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Nômades da Desolação – Parte 10

Nômades da Desolação (httpstarskq.deviantart.comartForest-44496104)De noite Cari e Soni arrumaram as mochilas, depois de Lucio adormecer deitado sobre uma esteira junto à lareira, na sala. A tempestade caíra numa breve pancada à tarde, empoçando o terreno ao redor da casa. O ruído dos pingos a martelar o telhado lembrara à garota a Caravana em movimento, com as engrenagens rangendo e os raros animais de tração pisoteando o solo. As nuvens não se haviam dissipado ainda. Quando ela e o amigo anunciaram que estavam de saída, Marian levantou-se da cadeira onde cerzia uma peça de roupa e gesticulou para que fizessem silêncio e a acompanhassem à soleira, para não acordar Lucio. Continuar lendo

Nômades da Desolação – Parte 9

Nômades da Desolação

Passaram-se três dias.

Nesse ínterim Marian alimentou a todos com seu farto estoque de caça, e eis que Cari e Soni reencontraram a disposição que os racionamentos de comida, necessários na escassez da Desolação, haviam sugado deles. O humor da garota melhorou visivelmente com o estômago satisfeito, sem mencionar que era animador ver o amigo com a energia renovada. Continuar lendo

Nômades da Desolação – Parte 8

Nômades da Desolação 14 (httpnele-diel.deviantart.comartForest-Glade-425986033)

– Essa é a pessoa responsável por salvá-lo – disse Cari. – Nossa anfitriã. Marian.

Soni não escondeu a surpresa. O nome era-lhe familiar também e nada de reconfortante evocava.

– Agrada-me vê-lo desperto, criança – saudou Marian com um tom que não demonstrava agrado nem desagrado. Continuar lendo

Nômades da Desolação – Parte 7

Nômades da Desolação (httpjrcoffroniii.deviantart.comartSpooky-Forest-Study-299778920)

“Desolação.” Agora a Desolação estava dentro dela. Esse pensamento faiscou na mente de Cari para depois boiar à deriva, como se não passasse de uma conclusão insignificante. Para a menina apática, nada mais importava. Não lembrava se suas esperanças haviam acabado antes ou após o pesadelo. Na verdade, nem isso importava. Só lhe restava esperar, mas não tinha ideia do que esperar. Esparramada junto à borda da cama em posição nem um pouco confortável, a garota fitava a mecha de cabelo que lhe encobria a visão, porque nada de mais interessante existia no mundo e nada era digno de mais atenção no momento. Continuar lendo

Nômades da Desolação – Parte 5

Cari virou-se para contemplar o lobo já sobre Soni. Por um segundo seu coração apertou, mas não mais do que isso. Ela acabara de abater quatro animais em sequência, e mais um não era problema. Alinhou três flechas entre os dedos e em instantes engatilhou uma após outra na corda. Em rápida sucessão, todas elas voaram contra a fera, cravando-se duas em seu flanco e uma em sua pata dianteira esquerda. Era uma técnica que Gerion ensinara-lhe, para caçar uma presa que se metesse a fugir ao primeiro disparo. O revés era que a velocidade dos tiros comprometia a pontaria, mas era indiscutível a letalidade do resultado. Nenhum animal tinha fôlego para permanecer de pé depois de uma saraivada daquelas. Continuar lendo

Nômades da Desolação – Parte 4

O rapaz obedeceu. Era uma das pinturas da mãe de Cari, decerto. Reconhecia as pinceladas meio borradas, um estilo que tencionava retratar quão efêmeras eram as imagens capturadas. E as cores eram vivas como as que Teani gostava de usar. “Um vale.” Continuar lendo

Nômades da Desolação – Parte 3

Nômades da desolação 7

De relance, captou um vulto indistinto à esquerda, mas quando girou o olhar só enxergou um trio de árvores pretas como carvão. Teria sido…? “Ela?” Não, absolutamente: ela estava morta. “Vento.” Sim, fora o vento – provavelmente. “Provavelmente não.” Vento nenhum produzia o ruído que escutara. “E não existe vento na zona morta.” Cari não podia ter ignorado o barulho. Ela era desligada, mas também era uma caçadora. Decerto o ouvira, mas não lhe dedicara atenção, pois não devia ser algo com que se preocupar. Era o mesmo som que o rapaz emitia ao caminhar: o crac crac ausente nos passos da amiga. O crac crac que, por algum motivo, recordava Soni de ossos. As vértebras e ossículos que o Velho Tobi manuseava em certas cerimônias. O esqueleto que todos ofertavam aos deuses após o animal de onde viera ter servido de refeição. Porque, ao contrário da carne que apodrecia, os ossos eram imperecíveis como os deuses. Os deuses que haviam abandonado a mãe de Soni. Continuar lendo