CONTO: As últimas férias no mundo conhecido

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Vitor acordara com o humor cinzento típico de um dia de aula chuvoso. Lá fora, porém, o calor distorcia o asfalto, e o azul cetim do céu era de doer os olhos. Sobretudo, era o início das férias. Era obrigatório que ele estivesse correndo e gritando feito louco, sem saber se andava de bicicleta, jogava videogame ou se entregava ao ócio irrestrito e descarado que só aqueles que não têm provas à vista nem deveres de casa por concluir conhecem. Mas não. Continuar lendo

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CONTO: A causa da guerra

A causa da guerra

(Spin-off do romance Além do Sol e da Lua)

Sidrik “Rochedo” Haulogen é um velho cavaleiro com um passado glorioso de conquistas militares e de feitos heroicos. Quando o Duque o designa como líder de um regimento inexperiente e tutor de um escudeiro medroso e sem estirpe, Sidrik encontra vários motivos para se ressentir. A missão de que o incumbiram parece suicida. Apesar disso tudo, enquanto marcha, ele descobre uma razão valiosa por que lutar. Todavia, no outro extremo do combate que se avizinha, os oponentes não estão menos determinados: o capitão Perinëo e seus arqueiros élficos batalharão com todas as forças pela mais simples das causas – a vingança. Quando dois lados se batem com igual fervor, e quando ambos têm algo precioso a proteger ou a reclamar, qual deles merece ser agraciado com a vitória? Continuar lendo

CONTO: A música que toca

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Estava na penumbra, assim como nas outras vezes. Esperava. Adiante, sobre um piso quase espelhado de tão lustroso e sob luzes que deslumbravam, reluzia o piano. E o piano também esperava, e sua placidez contrastava com a ansiedade daquele que se preparava para tocá-lo. Convidava como um anfitrião sorridente e ao mesmo tempo intimidava como um salto no vazio. Continuar lendo

Nômades da Desolação – Parte 10

Nômades da Desolação (httpstarskq.deviantart.comartForest-44496104)De noite Cari e Soni arrumaram as mochilas, depois de Lucio adormecer deitado sobre uma esteira junto à lareira, na sala. A tempestade caíra numa breve pancada à tarde, empoçando o terreno ao redor da casa. O ruído dos pingos a martelar o telhado lembrara à garota a Caravana em movimento, com as engrenagens rangendo e os raros animais de tração pisoteando o solo. As nuvens não se haviam dissipado ainda. Quando ela e o amigo anunciaram que estavam de saída, Marian levantou-se da cadeira onde cerzia uma peça de roupa e gesticulou para que fizessem silêncio e a acompanhassem à soleira, para não acordar Lucio. Continuar lendo

Nômades da Desolação – Parte 9

Nômades da Desolação

Passaram-se três dias.

Nesse ínterim Marian alimentou a todos com seu farto estoque de caça, e eis que Cari e Soni reencontraram a disposição que os racionamentos de comida, necessários na escassez da Desolação, haviam sugado deles. O humor da garota melhorou visivelmente com o estômago satisfeito, sem mencionar que era animador ver o amigo com a energia renovada. Continuar lendo