Além do Sol e da Lua – Capítulo 2

CAPÍTULO II- Não adianta chorar pelo leite derramado

Tiberia era pequena e fracamente populosa em comparação às capitais urbanas do Reino de Icintareo. Sua população oficial não beirava sequer duas centenas de habitantes. Mas todos os anos, sobretudo à época do Festival Escarlate, um milhar de elfos, homens e anões, provenientes dos mais diversos cantos de Vartäe, visitavam a cidade. A excelente qualidade da cerveja e das estalagens tiberienses era amplamente reconhecida, o que contribuía para alimentar o turismo, além do próspero comércio local.

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LANÇAMENTO: Promise of Blood

Promise of bloodPromise of Blood é o livro que inicia a trilogia The Powder Mage, do autor estreante Brian McClellan. Conjugando mágica prodigiosa com atiradores de elite dotados de habilidades sobrenaturais, e tendo nas revoluções sua temática central, a história promete trazer muitas inovações ao gênero da Literatura Fantástica.

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Criatividade na Literatura Fantástica: revoluções ou remakes?

Houve um tempo em que comecei a pensar que, nos dias que correm, não mais existiria originalidade na Literatura Fantástica. Cismava que todas as grandes histórias já tinham sido escritas e que qualquer nova história poderia ter suas origens traçadas até outras mais antigas. Sustentava que o leitor sempre seria capaz de associar o que leu a referências que lhe fossem mais familiares. Sensação de mesmice de mesmices.

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Além do Sol e da Lua – Capítulo 1

CAPÍTULO I – Dois irmãos

Dois irmãos 3

Berek acordou de súbito bem antes da alvorada. O céu ainda estava sombrio e a terra, descolorida. Suor gelado e tremores formigavam-lhe na pele. Na mente ecoavam gritos de horror e gargalhadas cruéis, que faziam a noite serena parecer apenas uma ilusão imbecil. Ele enxugou a testa molhada com o lençol a fim de apagar as imagens remanescentes do pesadelo. “É inútil”, suspirou. Continuar lendo

CONTO: O que a terra levou

O que a terra levou 1

(NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS)

< GÊNERO: TERROR/HORROR >

Oto é um sobrevivente. A peste se abateu sobre o vilarejo onde habitou desde sempre, trazendo consigo a morte para uns e uma sobrevida para outros. Ninguém se salvou do ar envenenado ou da voracidade infecciosa das Criaturas que hoje dominam Vilarrocha. Exceto Oto. Apesar de debilitado em razão do cansaço e da fome, o rapaz parece imune aos efeitos mais horrendos da praga. E, em meio ao apocalipse local, algo incita sua esperança. Alguém, na verdade: sua amada Helena, vitimada pela doença. Mas Oto se crê capaz de devolver-lhe a vida e, assim, aplacar a saudade. Munido de conhecimentos de necromancia, ele parte em busca dos meios para ressuscitá-la. Só que a obscura arte dos necromantes exige sacrifícios tremendos do corpo e do espírito, e não há provas de sua eficácia. E será a mera força de vontade o bastante para que Oto quebre o maior dos tabus e enfim se reencontre com Helena?

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CONTO: Musgo fantasma

Musgo fantasma

(NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS)

Nënia-Cabelos-de-Musgo-Fantasma é conhecida como a feiticeira da cidade. Cruel com seus desafetos, apavorante para as crianças, caprichosa em suas revanches. Vivendo no casebre que outrora pertenceu a uma bruxa solitária e excêntrica, a moça guarda um passado tormentoso dentro de si. As provações que enfrentou fizeram dela a pessoa fria – “Forte e independente”, diria ela – que é hoje. Com efeito, Nënia se acha mais poderosa do que a velha que cuidou dela – e talvez o seja mesmo. Mas quando uma hóspede inesperada, indesejada, bate-lhe à porta, a moça acaba revivendo lembranças que preferia ter esquecido. Lembranças que podem levá-la a repensar suas escolhas e identidade. Ou que conduzirão ambas as mulheres – Nënia e sua hóspede maldita – à perdição: à morte de uma e ao perpétuo arrependimento da outra.

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CONTO: Língua d’Ouro

Língua d'Ouro

Sou Harturmond Língua d’Ouro. Mas houve um tempo em que eu era mais Língua d’Ouro do que sou agora. Outrora era filho de meu pai, Garamund, um Língua d’Ouro até as unhas dos pés. Seu irmão, rapaz, deve saber quem são os Língua d’Ouro, pois é erudito demais para o tamanho que tem. Mas noto que você, com essa cara de perdido, precisará de orientação.

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CONTO: Meu adversário

Meu adversário

Meu adversário vestia couro, assim como eu. Não. Melhor dizendo: minha adversária. Era ela quem empunhava a espada, quem trançara os longos fios negros até a ponta, quem se revestira da malha que se ajustava a cada curva de sua silhueta, quem abotoara o corselete deixando parte do busto intencionalmente à mostra. Era ela a garota que ostentava no rosto o sorrisinho antecipado de vitória, tão arrogante, tão insuportavelmente irritante.

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