CONTO: As últimas férias no mundo conhecido

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Vitor acordara com o humor cinzento típico de um dia de aula chuvoso. Lá fora, porém, o calor distorcia o asfalto, e o azul cetim do céu era de doer os olhos. Sobretudo, era o início das férias. Era obrigatório que ele estivesse correndo e gritando feito louco, sem saber se andava de bicicleta, jogava videogame ou se entregava ao ócio irrestrito e descarado que só aqueles que não têm provas à vista nem deveres de casa por concluir conhecem. Mas não. Continuar lendo

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CONTO: A causa da guerra

A causa da guerra

(Spin-off do romance Além do Sol e da Lua)

Sidrik “Rochedo” Haulogen é um velho cavaleiro com um passado glorioso de conquistas militares e de feitos heroicos. Quando o Duque o designa como líder de um regimento inexperiente e tutor de um escudeiro medroso e sem estirpe, Sidrik encontra vários motivos para se ressentir. A missão de que o incumbiram parece suicida. Apesar disso tudo, enquanto marcha, ele descobre uma razão valiosa por que lutar. Todavia, no outro extremo do combate que se avizinha, os oponentes não estão menos determinados: o capitão Perinëo e seus arqueiros élficos batalharão com todas as forças pela mais simples das causas – a vingança. Quando dois lados se batem com igual fervor, e quando ambos têm algo precioso a proteger ou a reclamar, qual deles merece ser agraciado com a vitória? Continuar lendo

CONTO: A música que toca

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Estava na penumbra, assim como nas outras vezes. Esperava. Adiante, sobre um piso quase espelhado de tão lustroso e sob luzes que deslumbravam, reluzia o piano. E o piano também esperava, e sua placidez contrastava com a ansiedade daquele que se preparava para tocá-lo. Convidava como um anfitrião sorridente e ao mesmo tempo intimidava como um salto no vazio. Continuar lendo

CONTO: Fim e recomeço

Fim e recomeçoEle berrava porque era só o que sabia fazer. Alguma força primeva, mais velha do que esta história, sua história ou a Grande História do Tempo, o conduzia a agir assim. Gerações antes dele haviam procedido da mesma maneira. Talvez o primeiro dentre os seus houvesse se portado igual – e este sim devia ter inventado ou descoberto uma novidade. Mas o que se seguira a partir daí não passara de imitação, ou porque a originalidade se esgotara, ou porque a técnica era perfeita demais para sofrer mudanças. Sentia-se desconfortável, vazio por dentro, e berrar era o certo a fazer.

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CONTO: O que a terra levou

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(NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS)

< GÊNERO: TERROR/HORROR >

Oto é um sobrevivente. A peste se abateu sobre o vilarejo onde habitou desde sempre, trazendo consigo a morte para uns e uma sobrevida para outros. Ninguém se salvou do ar envenenado ou da voracidade infecciosa das Criaturas que hoje dominam Vilarrocha. Exceto Oto. Apesar de debilitado em razão do cansaço e da fome, o rapaz parece imune aos efeitos mais horrendos da praga. E, em meio ao apocalipse local, algo incita sua esperança. Alguém, na verdade: sua amada Helena, vitimada pela doença. Mas Oto se crê capaz de devolver-lhe a vida e, assim, aplacar a saudade. Munido de conhecimentos de necromancia, ele parte em busca dos meios para ressuscitá-la. Só que a obscura arte dos necromantes exige sacrifícios tremendos do corpo e do espírito, e não há provas de sua eficácia. E será a mera força de vontade o bastante para que Oto quebre o maior dos tabus e enfim se reencontre com Helena?

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