Nômades da Desolação – Parte 8

Nômades da Desolação 14 (httpnele-diel.deviantart.comartForest-Glade-425986033)

– Essa é a pessoa responsável por salvá-lo – disse Cari. – Nossa anfitriã. Marian.

Soni não escondeu a surpresa. O nome era-lhe familiar também e nada de reconfortante evocava.

– Agrada-me vê-lo desperto, criança – saudou Marian com um tom que não demonstrava agrado nem desagrado. Continuar lendo

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Nômades da Desolação – Parte 7

Nômades da Desolação (httpjrcoffroniii.deviantart.comartSpooky-Forest-Study-299778920)

“Desolação.” Agora a Desolação estava dentro dela. Esse pensamento faiscou na mente de Cari para depois boiar à deriva, como se não passasse de uma conclusão insignificante. Para a menina apática, nada mais importava. Não lembrava se suas esperanças haviam acabado antes ou após o pesadelo. Na verdade, nem isso importava. Só lhe restava esperar, mas não tinha ideia do que esperar. Esparramada junto à borda da cama em posição nem um pouco confortável, a garota fitava a mecha de cabelo que lhe encobria a visão, porque nada de mais interessante existia no mundo e nada era digno de mais atenção no momento. Continuar lendo

Nômades da Desolação – Parte 5

Cari virou-se para contemplar o lobo já sobre Soni. Por um segundo seu coração apertou, mas não mais do que isso. Ela acabara de abater quatro animais em sequência, e mais um não era problema. Alinhou três flechas entre os dedos e em instantes engatilhou uma após outra na corda. Em rápida sucessão, todas elas voaram contra a fera, cravando-se duas em seu flanco e uma em sua pata dianteira esquerda. Era uma técnica que Gerion ensinara-lhe, para caçar uma presa que se metesse a fugir ao primeiro disparo. O revés era que a velocidade dos tiros comprometia a pontaria, mas era indiscutível a letalidade do resultado. Nenhum animal tinha fôlego para permanecer de pé depois de uma saraivada daquelas. Continuar lendo

Nômades da Desolação – Parte 4

O rapaz obedeceu. Era uma das pinturas da mãe de Cari, decerto. Reconhecia as pinceladas meio borradas, um estilo que tencionava retratar quão efêmeras eram as imagens capturadas. E as cores eram vivas como as que Teani gostava de usar. “Um vale.” Continuar lendo

Nômades da Desolação – Parte 3

Nômades da desolação 7

De relance, captou um vulto indistinto à esquerda, mas quando girou o olhar só enxergou um trio de árvores pretas como carvão. Teria sido…? “Ela?” Não, absolutamente: ela estava morta. “Vento.” Sim, fora o vento – provavelmente. “Provavelmente não.” Vento nenhum produzia o ruído que escutara. “E não existe vento na zona morta.” Cari não podia ter ignorado o barulho. Ela era desligada, mas também era uma caçadora. Decerto o ouvira, mas não lhe dedicara atenção, pois não devia ser algo com que se preocupar. Era o mesmo som que o rapaz emitia ao caminhar: o crac crac ausente nos passos da amiga. O crac crac que, por algum motivo, recordava Soni de ossos. As vértebras e ossículos que o Velho Tobi manuseava em certas cerimônias. O esqueleto que todos ofertavam aos deuses após o animal de onde viera ter servido de refeição. Porque, ao contrário da carne que apodrecia, os ossos eram imperecíveis como os deuses. Os deuses que haviam abandonado a mãe de Soni. Continuar lendo

Nômades da Desolação – Parte 2

Nômades da desolação 5

O estômago roncou de novo, mas dessa vez Soni obrigou-o a aquietar-se. Fome: era natural senti-la perto do desjejum, embora naquele breu imutável não se pudesse ter certeza das horas. O rapaz nem se incomodou em conferir a posição do sol acima da teia de galhos desfolhados e enegrecidos, porque já sabia o que esperar. Ele e Cari já somavam dez dias na Desolação, mais do que o suficiente para que houvesse aprendido a não contar com uma mísera réstia de luz penetrando o teto fuliginoso do bosque. “O teto que não é bem um teto e que de fuligem não tem nada.” Pois o céu estava limpo, descoberto, como na tarde em que ele e Cari haviam conversado sobre a Linha da Vida. A memória parecia tão distante, perdida no tempo. “Nós também.” Mas ao contrário do azul de doer os olhos daquela ocasião, nas alturas agora predominava um laranja envenenado ou um bronze velho acinzentado. Da aurora ao pôr do sol o mundo era um ocaso taciturno ali. Continuar lendo

Notícias sobre As portas de pedra, de Patrick Rothfuss… ou não

Os Quatro Cantos (httpxxtayce.deviantart.comartThe-Kingkiller-Chronicles-map-371648247)

Enquanto a espera pelo próximo livro de George R. R. Martin não deixa os fãs sossegados – afinal, Martin escreve muito e, por mais longas que as esperas tenham sido até o momento, todas elas têm compensado –, várias são as especulações sobre a data provável de lançamento do terceiro volume d’A Crônica do Matador do Rei, As portas de pedra, de Patrick Rothfuss. Continuar lendo

RESENHA: O aprendiz de assassino

O apreO aprendiz de assassinondiz de assassino, de Robin Hobb, foi uma das agradáveis surpresas de 2013. Publicado no Brasil pela Leya, o livro já conta com milhares de fãs lá fora e, agora, certamente aqui dentro. É o primeiro volume da Trilogia Farseer, que aqui também renderá três livros, conforme reportou a editora.

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Além do Sol e da Lua – Capítulo 9

CAPÍTULO IX- … E Luar Escarlate

Luar escarlate 1 (httpbluehybun.deviantart.comartabandoned-farm-house-190413544)

– O sangue está fresco – afirmou Berek ao alisar a pelagem de Branca. Depois esfregou os dedos lambuzados de vermelho na relva. – O massacre se deu hoje, isso é certo. Mas não sei dizer precisamente quando, se de manhã, de tarde ou há poucos minutos. Quanto aos Dimethio, tenho… Continuar lendo