CONTO: A causa da guerra

A causa da guerra

(Spin-off do romance Além do Sol e da Lua)

Sidrik “Rochedo” Haulogen é um velho cavaleiro com um passado glorioso de conquistas militares e de feitos heroicos. Quando o Duque o designa como líder de um regimento inexperiente e tutor de um escudeiro medroso e sem estirpe, Sidrik encontra vários motivos para se ressentir. A missão de que o incumbiram parece suicida. Apesar disso tudo, enquanto marcha, ele descobre uma razão valiosa por que lutar. Todavia, no outro extremo do combate que se avizinha, os oponentes não estão menos determinados: o capitão Perinëo e seus arqueiros élficos batalharão com todas as forças pela mais simples das causas – a vingança. Quando dois lados se batem com igual fervor, e quando ambos têm algo precioso a proteger ou a reclamar, qual deles merece ser agraciado com a vitória? Continuar lendo

Além do Sol e da Lua – Capítulo 9

CAPÍTULO IX- … E Luar Escarlate

Luar escarlate 1 (httpbluehybun.deviantart.comartabandoned-farm-house-190413544)

– O sangue está fresco – afirmou Berek ao alisar a pelagem de Branca. Depois esfregou os dedos lambuzados de vermelho na relva. – O massacre se deu hoje, isso é certo. Mas não sei dizer precisamente quando, se de manhã, de tarde ou há poucos minutos. Quanto aos Dimethio, tenho… Continuar lendo

Além do Sol e da Lua – Capítulo 8

CAPÍTULO VIII- … Sangue rubro…

Sangue rubro 3 (httpwww.deviantart.comartDark-Fields-151570906)

Após darem as costas às línguas de fogo que lambiam a abóbada estrelada, ao irmão mais novo pareceu que a noite de Haure’ärna ficara estranhamente fria e escura. A caminhada até a fazenda dos Dimethio estava tardando bem mais do que o habitual, assim lhe aparentava. Talvez porque se sentisse imensamente cansado. Suas pernas latejavam com maior ardor do que as chamas que ele tencionara desbravar. Nas mãos e pés nasciam-lhe calos, e certamente não era natural alguém aperceber-se do calor do próprio sangue a circular sob as unhas. O dia fora longo demais, e tudo que desejava era poder deitar-se em sua cama macia forrada de palha e capeada por linho, dormir feito pedra e acordar na manhã seguinte para descobrir que vivenciara somente um pesadelo hiperdetalhado e impressionantemente real. Continuar lendo

Além do Sol e da Lua – Capítulo 7

CAPÍTULO VII- Fogo carmesim…

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Vultos. Vultos em absurda velocidade. Deviam ser casas e postes, vasos com flores, montes de lixo, gatos remexendo espinhas… Mas o menino voava, não devotava mais do que um relance ao ambiente cinzento, e apenas quando este insistia em opor-lhe obstáculos. E o garoto saltava, driblava, agachava-se. Continuar lendo

Além do Sol e da Lua – Capítulo 6 1/2

CAPÍTULO VI- Interlúdio: algures na floresta

O presente capítulo insere-se entre as páginas 1 e 2 do capítulo 6, já publicado. A motivação para escrevê-lo veio da sugestão de um amigo que, com razão, apontou que o ritmo do referido capítulo estava um tanto quanto arrastado. Concordei. Esta parte segue a perspectiva de um personagem novo (i.e., não mencionado anteriormente), mas sua trajetória conecta-se com outras partes da história, esclarecendo mais alguns detalhes da trama e levantando outras questões. Espero que curtam! 😉

Algures na floresta 3 (httpbrowse.deviantart.comartEnchanted-forest-325054186)

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Além do Sol e da Lua – Capítulo 6

CAPÍTULO VI- De sábios e deusesDe sábios e deuses

O que devia fazer? Como fugir de uma vila-fortaleza cujas muralhas assomavam com espigões de doze, quinze metros de altura? Voando? Escavando um túnel subterrâneo? E como o Sr. Cahtóris sabia de sua topada com os Cavaleiros? Ah, abominável pergunta insistente! O garoto conseguia lidar com o dilema entre a curiosidade e sua vida, mas, se é que seus cálculos estavam corretos – e estavam, porque aquela sensação de vômito engolido na boca do estômago era bem real –, poderia satisfazer a curiosidade em detrimento de uma vida alheia, em detrimento da vida de seu irmão? Continuar lendo

Além do Sol e da Lua – Capítulo 5

CAPÍTULO V- “Porque o mundo não é só feito de semielfos e daqueles que os odeiam”

Porque o mundo... 3

As agulhas de vento choviam de baixo para cima enquanto Seth caía. Um martírio às feridas abertas de seu rosto, que até então não o haviam incomodado. A dor durou ínfimos segundos, pois a gravidade tinha pressa em puxar o corpo para a terra. Teria quebrado-lhe alguns ossos, não fosse o terreno macio onde ela o assentou. O farfalhar da palha denunciou a descarada conveniência. Justamente no ponto em que fora obrigado a pular ou voltar, o monte fofo sob os pés dissipara as dúvidas do fugitivo.

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Além do Sol e da Lua – Capítulo 4

CAPÍTULO IV- Fuga honrosa

Tiberia 2

Dum… Dum… DUM! Investidas ritmadas contra a madeira. DUM… DUM! Encontravam vigorosa resistência, de sorte que a labuta de aríete humano teria de prosseguir indefinidamente. DUM! Entrecortados, distinguiam-se lamúrias e gemidos. DUM!! E rangiam dobradiças de ferro. DUM!!! Alguém praguejava com uma voz embargada, em meio a interrupções em que parecia cuspir. DUM!!!!

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Além do Sol e da Lua – Capítulo 3

CAPÍTULO III- Sombra sob a luz do lustre

De volta à loja contra a vontade, o garoto foi jogado rudemente no chão, depois de os homens terem arrancado sua capa. A surpresa nocauteara seu raciocínio, e agora o lustre justo acima de si lhe ofuscava a vista, enquanto ele assistia prostrado a seus captores destroçarem sua austera companheira de viagem. E eis que, miúdo e indefeso, Seth prendeu o fôlego à medida que o coração acelerava e as veias dilatavam. Pulsava-lhe no sangue um medo maior do que o terror que lhe injetaram Hidëo e Atröxis: pânico. Pânico nauseante. Não tinha a menor noção do que fariam com ele. Mestre Paetros prevenira-o acerca do “tratamento nada gentil” reservado aos semielfos, mas nunca entrara em detalhes; e o menino, sensato, jamais nutrira curiosidade sobre o assunto. Continuar lendo