25/07: Dia do Escritor & uma nota de alento

Certo, suponho que no dia de hoje eu deva escrever algumas palavras sobre o próprio ato de escrever (e viva a metalinguagem!), algum pensamento sobre minha pretensão de ser escritor ou uma descrição do que a escrita significa para mim.

Pronto. Eis as palavras, aí em cima.

Ok, estava brincando. Piadas frustradas à parte, tenho mais a comentar. E agora falo sério.

Posso afirmar que cheguei a um estágio desta minha empreitada literária em que escrever deixou de ser um simples hobby entre outros, para se tornar algo necessário em minha vida. Estar com meus personagens, participar de suas conversas, caminhar com eles pelos cenários, partilhar de seus conflitos, bolar as reviravoltas do enredo – ultimamente, tudo isso tem se revelado tão divertido quanto ler. Sim, há percalços, há angústias – haverá sempre –, mas há também paixão e fascínio. Estou grato por isso.

Dia do escritor

E uma conclusão: a história que eu e qualquer outro aspirante a escritor ou escritor veterano guardamos conosco, somente nós podemos contá-la. Se/quando eu ingressar no funcionalismo público, passando no concurso que sempre delimitei como uma de minhas metas, a verdade é que, por mais que eu vá me esforçar para encarnar um excelente profissional, outras pessoas poderiam muito bem me substituir no trabalho que haverei de desempenhar – e talvez venham a se sair melhor do que eu. É um serviço que, em tese, qualquer um que vire noites estudando pode realizar.

Mas contar a história que eu desejo contar – ou que você, leitor-do-blog-aspirante-a-escritor, deseja contar – isso é algo que apenas eu – que apenas NÓS podemos fazer. Existe um quê de único nisso. Não desmereçamos a escrita, porque o que somos capazes de obrar com ela ultrapassa as barreiras do tempo.

E agora um trecho de um livro de que gosto bastante, um de meus valiosos “manuais” para escrever.

Quando pensamos quantas coisas aterrorizantes as pessoas são chamadas a fazer todos os dias, ao combater incêndios, defender seus direitos, realizar cirurgias no cérebro, dar à luz, dirigir na via expressa e lavar janelas de arranha-céus, parece frívolo, comodista e presunçoso falar sobre escrever como um ato que requer coragem. O que poderia ser mais seguro do que estar sentado à sua escrivaninha, batendo de leve algumas teclas, empurrando sua cadeira para trás e fazendo uma pausa para contemplar o maravilhoso bocado de arte que seu cérebro produziu para diverti-lo?

No entanto, a maioria das pessoas que tenta escrever experimenta não só necessidade de coragem como desalento, à medida que as consequências reais ou imaginárias – falhas e humilhações, exposição e inadequação – dançam diante de seus olhos através da tela ou da página vazias. O medo de escrever mal, de revelar algo que gostaríamos de manter oculto, de cair no conceito dos outros, de violar nossos próprios padrões elevados, ou de descobrir algo sobre nós mesmos que preferiríamos ignorar são apenas alguns dos fantasmas amedrontadores o suficiente para levar o escritor a se perguntar se não haveria emprego disponível como lavador de janelas de arranha-céu.

Tudo isso gera mais uma razão para ler. A literatura é uma fonte inesgotável de coragem e confirmação. (PROSE, Francine. Para ler como um escritor, p. 243)

Leiam boa arte.

Façam boa arte – para citar Neil Gaiman. 😉

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5 respostas em “25/07: Dia do Escritor & uma nota de alento

  1. Concordo. Escrever pode ser uma coisa realmente frustrante algumas vezes.
    Existem aqueles dias em que tudo flui com uma liberdade e suavidade incrível! Simplesmente parece que as idéias estão escorregando da minha mente para a minhas mãos, num fluxo que parece nunca terminar.
    Mas existem também aqueles dias em que eu estou completamente travado e desanimado, quando eu não consigo produzir quase nada. Nesses dias, a coisa meio que vai sendo “empurrada”, mas, ainda assim, eu tento completar ao menos a minha hora diária de escrita.
    Sei la, meio que bate um desespero nessas horas. hueuheuheuheuheuhe. Eu releio o que escrevi antes, e fico me perguntando “como eu consegui escrever isso naquele dia, e agora estou escrevendo ISSO?”
    Enfim, escrever é um exercício que requer muita, muita determinação mesmo.

    • Sim, exato. Sinto a mesma coisa, e com mais frequência do que gostaria. De certo modo, é bom compartilharmos essas impressões, porque escrever acaba sendo um trabalho solitário, hehe!
      Por isso é um excelente estímulo o que fazemos lá no ONE, com críticas e feedbacks recíprocos. É verdade que não devemos depender dos comentários para conseguir escrever, mas é inegável que isso ajuda a enfrentarmos o silêncio e a introspecção (de dar nos nervos, às vezes) que acompanham o ato da escrita. E ler também desempenha um papel essencial, quando buscamos inspiração e coragem.
      Eu ainda não estabeleci uma rotina para escrever. Não sei se pretendo estabelecer. Mas vou levando. A desvantagem é que meu ritmo de produção tende a ser meio lento, mas ao menos isso me permite elaborar a história com mais cuidado (ou é o que digo para mim mesmo, como escusa… sei lá, em parte é verdade, em parte não. XD).
      Abraço! o/

  2. Cara, uma coisa que eu achei interessante, foi esse livro que você citou. Geralmente, existem poucos livros e português que falam sobre o assunto.
    Eu entrei na Submarino e já encomendei um “Para ler como um escritor.”
    Só passei aqui de novo pra dizer que seria interessante uma postagem falando sobre esses livros para escritores, sabe? eu já tinha visto alguns no exterior, como o do Stephen King, por exemplo.
    Até mais, e o site tem tido umas matérias bem legais ultimamente. Parabéns. 😉

    • Hehe, obrigado pelo comentário, Mateus!
      Então… a Francine Prose é estadunidense na verdade, mas o livro dela fez tanto sucesso lá fora que acabou sendo traduzido e lançado aqui. A versão em português conta com análises de obras brasileiras, inclusive, o que é um acréscimo bem-vindo ao original, que já tinha um repertório bem diversificado de romances examinados, de autores de várias partes do mundo.
      Uma postagem com outras dicas de “manuais” é esta, do blog do T. K. Pereira: http://escribaencapuzado.wordpress.com/2013/03/08/livros-que-ensinam-a-escrever/. Nos comentários há outras sugestões, entre elas a minha, justamente do “Para ler como um escritor”.

      • A propósito, só vim a descobrir o “Para ler como um escritor” também por indicação de um amigo escritor, o Rainier Morilla, do “Roda de Escritores”.

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