Além do Sol e da Lua – Capítulo 7

CAPÍTULO VII- Fogo carmesim…

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Vultos. Vultos em absurda velocidade. Deviam ser casas e postes, vasos com flores, montes de lixo, gatos remexendo espinhas… Mas o menino voava, não devotava mais do que um relance ao ambiente cinzento, e apenas quando este insistia em opor-lhe obstáculos. E o garoto saltava, driblava, agachava-se.

Assim que se afastara da residência do Sr. Cahtóris, o semielfo pensara que, se pudesse divisar o arco de toras ao longe, correspondente à muralha do quadrante nordeste, bastaria virar-lhe as costas e… bem, só arriscar. Talvez se embebesse o indicador em saliva e o erguesse contra o vento inexistente, conseguiria fingir sentir algo e então rumaria (quase) a esmo; sem dúvida a estratégia perfeita para a incômoda calmaria tiberiense.

No entanto Seth não precisou apelar para seu malfadado senso de aleatoriedade. A luz estava ali para ser seguida. A fogueira na Praça Central crepitava esplendorosa. O menino localizou-a a distância e desatou a correr, mais veloz do que qualquer ventania daquela noite morna; porque o vento, preguiçoso ou imbuído de um saudável espírito desportivo, não parecia nem um pouco preocupado em chegar primeiro.

E logo ele freou, de tórax inflando e desinflando numa frequência acelerada. A selva de prédios, densa, sufocante, ficara para trás. À orla se desenhava uma rua larga e pavimentada em cujo norte se postava um marco agourento: a torre de vigia, antigamente prisão declarada para semielfos, verdadeira câmara de suplícios jamais ouvidos. Lugares assim costumam emanar uma aura maligna, e a dali assumia indisfarçavelmente as feições da morte e da dor. O garoto estremeceu e desviou os olhos do fascínio peculiar que toda tragédia exerce sobre os curiosos.

Contudo o sul era tão atrativo quanto: lá se encontrava a Praça, resplandecente, quente, indecente. E o mal também rondava por aquelas bandas, embora menos escancarado que no cárcere assombrado. Porque na Praça a morte posava de hábil dançarina, sabia gargalhar feito boêmio e cantar em coro com os menestréis, convidando os incautos a divertirem-se até morrer. Seth não era incauto. “Não muito…” Sim, não muito: era em que queria acreditar. De toda sorte, entre o inferno de trevas ao norte e o inferno de chamas ao sul não havia escolha. O portal para a liberdade repousava depois do fogo.

O oceano de gente rugia e o menino parou para observá-lo. O centro de Tiberia não era capaz de abarcar toda sua população mais o dobro disso em turistas, e portanto as comemorações estendiam-se pelo oeste e leste da Avenida do Sol Nascente e pelo sul da Avenida do Meio-Dia. Três quartos das pessoas deviam ver o Festival como um sinal de que a temporada de caça aos semielfos reinaugurava-se, e o um quarto restante simplesmente ignorava o mórbido significado. Tal minoria compunha-se sobretudo de crianças nascidas após a noite fatídica do sumiço da Lua, novas demais para compreender a verdade; de homens e elfos cujos narizes vermelhos de embriaguez denunciavam terem eles esquecido qualquer sentido oculto daquela data; e de anões em busca de lucro, a negociar armas e armaduras artesanais, joalheria e bugigangas, como marionetes ultra-articuladas, miniaturas de cavalos e touros e ursos, brinquedos que se mexiam sozinhos, ocarinas de prata oxidada, espelhos, talismãs e caríssimos relógios de corda.

E lá estava Seth em seu último suspiro antes do mergulho. A um canto da Praça se concentrava a Guilda Carmesim, um grupo de mercadores e artesãos que praticamente detinha o monopólio da produção e venda de corantes e tecidos de tons avermelhados. Vinham do misterioso Oriente, o Lado de Lá do Mundo, e caracterizavam-se pelas roupas de cores vibrantes, os chapéus cúbicos – às vezes dotados de véus feitos de algo que parecia pergaminho ou talvez algodão, mas não era nenhum dos dois – e a tinta brilhante que tanto rapazes quanto moças aplicavam aos lábios. O mais estranho, todavia, era que – nas tendas abarrotadas de tapetes, sedas, linhos e lãs que variavam do ocre ao rosado – figuravam seres humanos e élficos atuando numa rentável parceria. Para o Ocidente, o Lado de Cá, mesmo essa mera aliança de conveniência, alicerçada em razões econômicas, merecia olhares de espanto e reprovação.

No ar os aromas competiam por espaço, todos deliciosos, pois boa comida não faltava. Peru, porco, lombo de vaca, iguarias como coelho e faisão para os nobres, peixe para os pobres, e pães e bolos e tortas. A intenção original do Festival fora ensejar uma magnífica confraternização à luz das estrelas, em que cada família traria um prato para compartilhar coletivamente. Na prática, por motivos logísticos – sem mencionar uma indisposição generalizada quanto a misturarem-se elfos e homens, castas da aristocracia, camponeses e elementos aburguesados –, a ideia nunca funcionara. Conhecidos aglutinavam-se em conjuntos particulares, e os hóspedes e funcionários das estalagens e pousadas desfrutavam de banquetes igualmente privados.

Ao redor da pilha de toras que ardiam bem no meio da Praça, dispunham-se, sobre plataformas, as cítaras, as harpas, as liras, os alaúdes, as flautas, os clarinetes e os bardos-cantores. Muitas damas estavam a dançar, com ou sem os maridos, com ou sem amantes. Alguns guris entretinham-se dando de comer a um macaco, cujo dono, ocupado com donzelas ou com os fregueses a quem pretendia comerciar o animal, só percebia tarde demais: o símio então já enchera a pança de migalhas e os moleques riam alto, ao que o moço, um bigodudo com cara de buldogue, ralhava com eles, e estes simulavam medo para em seguida, o vendedor já de volta a seus afazeres, retornar ao jogo – e o ritual recomeçava.

O bar Solidouro localizava-se no quadrante sudoeste. Seth adiantou-se. Cabisbaixo, mirava o chão e segurava firmemente o capuz. À medida que prosseguia, dezenas de pés cruzavam-lhe o caminho: pés com sandálias a bailar; pés descalços a correr; pés encobertos por longos mantos; pés calçados por botas da Guarda Tiberiense; pés que se arrastavam com lentidão, prudentes, possivelmente pertencentes a ladinos de mãos leves; pés portando sapatilhas de menina, a saltitar; pés negros e brancos, amarelos e avermelhados, sujos e limpos, com unhas aparadas ou não.

Enfim atravessou. Sem problemas. Perfeito! Volveu-se e contemplou o Festival por uma última vez. Umas oito crianças, peritas em arranjar brechas por entre o alvoroço, brincavam de pega-pega. Por um instante o semielfo desejou poder juntar-se a elas, divertir-se ali, na Praça, com todos; e depois de tanta folia, quando a exaustão o abatesse, ele poderia contar com um beijo de boa-noite antes de dormir… Não. Claro que não. Sacudiu a cabeça em negativa veemente. Sua vida não era aquela nem poderia ser: ele jamais a trocaria por qualquer benção que a ingenuidade pudesse fornecer.

Era um semielfo, sim! E era um semielfo orgulhoso.

Subitamente a agitação pareceu arrefecer, como se os passantes houvessem adotado um ritmo de locomoção mais vagaroso. Tudo ficava mais lento e o ar, mais pesado. E por que diabos ninguém notava isso? Continuavam a perambular de um lado a outro, a consumir, a festejar, a viver… E não obstante as pessoas e coisas aparentavam desbotar-se, desvanecer-se, como fantasmas dentro de um sonho, como miragens além de uma tempestade de areia! Por que ninguém reparava?! Eles estavam desaparecendo e não existia pânico – por quê?! Porque apenas Seth reparava, que nem naquele momento em que… “Fiquei cego, que nem naquele momento em que fiquei cego!”

E enquanto o mundo avançava passo a passo para a dimensão transitória entre o visível e o invisível, o garoto, desesperado, dirigiu o foco para o único ponto da Praça que ainda insinuava concretude. E eis que ele viu: Hidëo, o capitão Hidëo, com os olhos abissais abertos. Com sua presença aterradora, o Cavaleiro Escarlate estava à vista de todos, porém substituíra a capa vermelha e os apetrechos de guerreiro por um manto de seda muito branco e liso. Era evidente que o capitão encarava o menino, uma vez que tudo o mais era devorado pelo vazio.

E antes que a névoa de sombra engolisse por inteiro tempo e espaço, Seth captou uma última cena com o canto da visão: uma prostituta puxava o decote do vestido e oferecia os seios fartos para um homem bem trajado, que de pronto os tocava. Guarnecidos pela privacidade do túnel que conduzia ao bar Solidouro, ambos se atracavam e gemiam baixinho. Já que a Praça se calara, o garoto não deixou de escutar os ruídos e enrubesceu. Foi o último momento em que sentiu vida em si. Que logo depois vieram as trevas, e foi banida a consciência.

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Morte. Era a sensação que passava aquele lugar. Aquele… não-lugar. Talvez se tratasse de um plano paralelo ao dos vivos, ou talvez tanto Seth quanto Hidëo ainda estivessem em Tiberia. Não importava. O fato era que em volta dos dois nada pairava senão escuridão agora. Não, nem sequer agora era adequado. Nem nunca nem sempre. Pois naquele ali inexistente os segundos congelavam-se, perdiam todo sentido. Sumiam. Sobrava apenas a ausência. Ausência de tempo e espaço, de luz e penumbra, de razão e emoção. Ausência de som. Que um silêncio perturbador imperava, um silêncio capaz de sufocar, de esmagar mente e até mesmo corpo.

Fogo carmesim 12

A despeito do negrume, o semielfo conseguia enxergar o Cavaleiro com clareza, e este, aquele. Só o par era e havia. O semblante do capitão inspirava placidez, como quando ele protegera Lao de Atröxis. “Onde estará Lao?”, perguntou-se o garoto, e seu pensamento projetou-se involuntariamente via oralidade, expurgando a mudez do não-lugar. Sua voz pareceu provir de toda parte, apesar de não se poder distinguir parte alguma. Hidëo pronunciou-se em seguida:

– Isto é teu espírito, Seth. Assim como não pudeste escondê-lo de mim outrora, perante minha Vontade eis que ele se abre de novo.

A boca do Cavaleiro movia-se, mas a voz que enchia o infinito não era a que o menino conhecia. Não. Era uma voz asquerosa, sussurrada. Sibilante. Caso as serpentes falassem, certamente teriam essa voz. Ao ouvi-la, num lugar distante chamado Tiberia, um paralisado Seth de carne e osso suava frio, lágrimas desciam-lhe pelas bochechas, as pernas tremiam e a bexiga pulsava. O Seth do não-lugar não sofria de qualquer sintoma físico; encolheu-se em agonia, entretanto.

– Patético… – continuou o capitão. – Tu és fraco. E teu espírito, como bem podes vislumbrar, é preto feito carvão. É o espírito de alguém que anseia pela morte. DIZ-ME QUE ESTOU ERRADO!

O garoto levou as mãos ao crânio.

– És semielfo, Seth. Nascido para morrer. Se quiseres, posso apressar a consumação de teu destino. Responde agora: desejas morrer?

O menino balançou a cabeça em tímida negativa…

– DESEJAS MORRER?!

Fogo carmesim 14O semielfo cravou os dedos orelhas adentro. Preferia ficar surdo a escutar aquela voz nojenta. Preferia reaver o silêncio sinistro a ter de lidar com um ruído tão torturante. Porém era impossível: o som era onipresente, alojava-se em sua mente, perfurava seu coração!

– DESEJAS MORRER?!

Seth balbuciava frases incoerentes, desconexas.

– DESEJAS MORRER?!

Seth gritou!

– DESEJAS MORREEEER?!

– S-si…

– Cale a boca, seu babaca!

Então o Seth do não-lugar de repente sentiu algo: dor. No rosto. Uma tremenda bofetada acertou-o em cheio e, mal erguia a face à procura da fonte do golpe, um vigoroso soco rasgou-lhe o queixo e o jogou para trás.

– Cale-se! Não vou permitir que morra! Nós não vamos!

A voz não pertencia ao Cavaleiro. A voz era… dele mesmo?! Do próprio Seth! Ante o garoto caído encontrava-se um gêmeo seu. De punhos cerrados, pronto para brigar mais se necessário, o sósia seria perfeito, não fosse o jeito arrogante e as íris prateadas, cintilantes. O menino reconheceu o duplo de imediato. Ultimamente vinha pressentindo-o por perto, sondando, embora jamais tivesse plena certeza de quando ele resolvia tomar as rédeas.

– Escute com atenção, Seth! – clamou o semielfo dos olhos de prata, apontando cheio de autoridade para o outro. – Eu não quero morrer nem você quer. Sei disso tanto quanto você. Há muito a ser feito ainda, NÃO ESTRAGUE TUDO, DROGA! Se precisa de força, posso lhe emprestar alguma…

– Quem és tu? – interveio o Cavaleiro.

– Sou alguém que não teme lhe replicar com pergunta idêntica: desejas morrer, SEU CAPITÃOZINHO DE MERDA?!

Hidëo não se abalou diante da demonstração de ferocidade, somente esboçou um riso quase imperceptível – de desdém, por certo.

– Bem, Seth – disse o sósia do olhar prateado –, acho que posso contê-lo por uns instantes. Quando voltar a si, corra para onde tem de correr! Corra sem parar, até se esgotar!

Assim que o duplo despediu-se com um aceno discreto da mão direita e uma piscadela, pondo-se em seguida frente a frente com o adversário, o garoto saiu do transe. Retornou a Tiberia e, no átimo, um turbilhão de barulhos invadiu seus ouvidos.

O menino não tinha a menor ideia de quanto tempo de vantagem seu gêmeo conseguiria proporcionar-lhe e, logo, optou por não desperdiçar nenhum segundo. Antes de tornar-se, relanceou a Praça. Hidëo não estava mais lá, possivelmente fora tragado pela massa de gente. Seth convocou Lao, que até havia pouco também restara estuporado, e ambos seguiram pelo túnel.

A meretriz e o cliente consumiam-se junto à parede, ele mergulhando o rosto em meio ao busto desnudo da acompanhante, e ela rindo despudoradamente. Não haviam sequer se aventurado para além das preliminares, o que só corroborava a atemporalidade reinante no não-lugar. O semielfo passou ligeiro pela dupla, nem um leve colorido acometendo-lhe as bochechas agora. Nele não sobrava mais espaço para a luxúria, toda sua energia física era envidada em movimentar as pernas para fora da cidade. E, além, mesmo que ainda não mitigasse o ímpeto de sua arrancada, um mal-estar semelhante ao que se abatera sobre Seth mais cedo, quando ele descera o vale até Tiberia, voltava à tona…

Adiante se podia divisar a luz amarelada do bar Solidouro. Sons metálicos de copos e canecas se chocando, garrafas de vidro se estilhaçando, ensaios de cantoria e conversa de bêbado – a taverna resplandecia de atividade, álcool aos ares. Provavelmente os proprietários se regozijavam da avantajada freguesia, como sempre atraída – assim deduziam – pela criatividade magnética do título do estabelecimento. Os anões desafortunados bem que podiam estar ali dentro, afogando as mágoas em bebida e abusando da boa-fé do taverneiro, talvez ingênuo o bastante para não desconfiar que não carregavam um mísero tostão por sob a aparência maltrapilha. E quem sabe Ulderik e Goethig também lá se encontrassem, o primeiro experimentando a desgostosa sensação do roçar da cerveja nas cavidades recém-abertas em sua arcada dentária.

Fogo carmesim 15 (httpbrowse.deviantart.comartTavern-345254385)

O beco atrás do bar encerrava um esplêndido terreno baldio. Nem lixo nem tonéis enferrujados contendo alcoólicos nem nada, só uma ruazinha meio escondida que devia levar ao poço do Aqueduto. Ninguém à vista, constatou o garoto à medida que seu cérebro se inflamava. Tremendamente zonzo, ele cambaleou para longe do raio de incidência das lamparinas rubras, típicas do Festival, que pendiam do Solidouro. A taverna não possuía janelas para os fundos, de sorte que a luminosidade de dentro não extravasava para aquelas bandas. Tudo escuro, tudo muito reservado, então…

A acidez percorreu a garganta do menino, o conteúdo estomacal descrevendo um caminho que seria normal para um ruminante ou um beberrão. Mas Seth estava sóbrio, o efeito da sidra já havia muito se dissipara. O focinho de Lao o encorajava a manter-se distante da gosma acre que inundava o chão, enquanto o mestre vomitava repetidas vezes.

– M-maldição… – o semielfo recompôs-se, cuspindo e limpando o beiço na gola da camisa. O mal-estar se fora e, depois, o anseio reemergindo implacável, o menino posicionou-se para urinar.

A urgência da fuga não adormecera, porém o breve período de meditação era merecido. A mistura repulsiva de líquidos alastrava-se a seus pés, o vapor subia e a conclusão enfim veio à luz: “O enjoo, o cansaço, a cegueira… todos devem ser produtos de minha exposição à Vontade de Hidëo. É isso… Não há outra explicação”.

E justamente no momento mais comprometedor, durante a balançadinha que finaliza o serviço, pela terceira vez naquele dia o garoto foi abordado pelas costas, uma mão tocando-lhe o ombro. Sobressaltado, clamou por socorro. Ou tentou. Uma segunda mão, ágil, impediu-o.

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10 respostas em “Além do Sol e da Lua – Capítulo 7

    • Hehe, exato! A intenção era pintar um clima de que as coisas estão indo de mal a pior (e que podem piorar mais até). Ainda bem que deu certo. 🙂

      Obrigado por ler e comentar, Jefferson.

  1. Como disse o J. Nóbrega, que capitulo! Rapaz está de parabéns! Bom uso dos tempos verbais, das técnicas de redação e da sincronia das palavras e dos trechos. Essa sua escrita me fascina desde os primeiros contos que li lá no ONE. A descrição do cenário e da psicologia ai dos personagens está de bom grado. REALMENTE não tenho do que reclamar dessa escrita e dessa história, está ótima e merece virar best-seller. E como leitor fiel de teus contos, tenho o dever de incentivá-lo ainda mais, rsrs…

    Só uma questão, uma pergunta: Vai haver mata para essa história? Porque acho que seria plausível. Uns tem uma narrativa mais simples, outros mais criativa e as tuas são ótimas como a dos grandes escritores do Brasil.

    Uma questão me surge a cabeça ao ler o trecho:

    Tal minoria compunha-se sobretudo de crianças nascidas após a noite fatídica do sumiço da Lua, novas demais para compreender a verdade; de homens e elfos cujos narizes vermelhos de embriaguez denunciavam terem eles esquecido qualquer sentido oculto daquela data; e de anões em busca de lucro, a negociar armas e armaduras artesanais, joalheria e bugigangas, como marionetes ultra-articuladas, miniaturas de cavalos e touros e ursos, brinquedos que se mexiam sozinhos, ocarinas de prata oxidada, espelhos, talismãs e caríssimos relógios de corda.

    Homens e elfos com os narizes vermelhos. Isso quer dizer que eles vivem juntos, em harmonia? Oo, Meu Deus, mas se for isso mesmo, coitado dos semielfos. E quanto aos anões, negociadores de várias coisas. Também seriam tipos capitães do mato, que saem à procura de semielfos para negociarem como escravos? Cara, genial isso, muito genial, aplausos.

    Parei nesse trecho porque REALMENTE tenho que sair.

    No ar os aromas competiam por espaço, todos deliciosos, pois boa comida não faltava. Peru, porco, lombo de vaca, iguarias como coelho e faisão para os nobres, peixe para os pobres, e pães e bolos e tortas.

    Pronto, está marcado, assim que eu voltar eu retorna a leitura, ou então amanhã, porque está muito boa. Parabéns e continue escrevendo! Se puder leia: De volta para 3000, uma ficção cientifica minha que está lá no ONE. Sei que não curte ficção, mas sua opinião será de grande importância. Abraços!

    • Opa, obrigado pelo comentário, Claudeir! E agradeço imensamente pelos elogios. Ah, e como eu gostaria que esta obra fosse publicada! Mas a verdade é que tenho de terminá-la antes. Tinha planos para fechar o que considero o primeiro livro até o fim do ano passado, mas não deu.

      Não entendi o que vc quis dizer com “mata”… =/

      Por “homens e elfos cujos narizes vermelhos de embriaguez…” quis assinalar que, na festa, havia bêbados tanto entre os elfos quanto entre os homens, cada um em seu canto. Há pouca harmonia entre eles no Ocidente. Mas, à medida que prosseguir na leitura, vc vai notar que existe mais tolerância no Oriente. (Na verdade, adianto que, mesmo em alguns locais específicos do Ocidente, o preconceito entre elfos e homens não se verifica. Ou seja, o preconceito não é definido pela geografia. As sociedades são complexas o bastante para que alguns elfos e alguns homens se deem bem, enquanto outros se odeiem.)

      Os anões ficam na deles; não ligam para as desavenças entre elfos e homens nem para a perseguição dos semielfos. Eles têm seus próprios problemas. Para eles, o contato com os demais povos corre bem se o comércio continuar fluindo normalmente. Tenho planos para eles, não se preocupe. =D

      Quanto à escravidão, nesse universo que estou criando, ela só é admitida como decorrência da derrota numa guerra; é um costume dos homens (e não dos elfos), e de uma parte do Ocidente apenas (e não do mundo inteiro).

      Sim, darei uma passada no ONE. Agora que a faculdade terminou estou livre para escrever, ler e comentar. Aliás, tenho de voltar a atualizar o blog.

      Abraço! o/

  2. Interessante! Li seu comentário e agora estou ansioso para ler as outras partes. Um universo bem trabalhado esse que está fazendo. Mas é bom acompanhar essa história, pois está com uma ótima sincronia. Não sei como explicar, mas você consegue levar o leitor a mergulhar nas páginas dessa história. Espero que mais pessoas possam lê-la.

    Ah propósito, no comentário acima eu quis pergunta: Se vai haver mapa geográfico nessa história? Cara, também fiquei curioso com o tal do CAVALEIRO ESCARLATE. Esse personagem transmitiu um quê de mistério e uma personalidade meio enigmática. Possivelmente dará problemas ao Soni futuramente.

    Tenho que dizer, as técnicas de redação e coesão estão boas. Não me prendi em nenhum momento, tão pouco travei a leitura. E olha que as vezes eu leio em leitura dinâmica, mas com essa história estou indo com muita calma e cautela, pois é do tipo que temos que prestar mais a atenção ao cenário e aos comentários dos personagens. Alguns trechos, olha, se eu fosse um estudante de colégio, certamente iria adorar ler alguns trechos do Além do Sol e da Lua nas páginas dos livros de aprendizagem, pois embora seja um romance, tem muito conteúdo ai que serve para ser estudado na minha opinião.

    Hehehe… Cara, esse capitão é um cúmulo de arrogância: Deseja morrer? DESEJA MORRER? Isso mexe com a psicologia do leitor. Em fim, todos os cenários e lugares estão bem trabalhos. Cara, sinceramente, depois que eu ler todos os capítulos aqui no site, vou recomeçar a lê-los no ONE, porque está sensacional, e é o tipo de leitura que vale a pena ser lido inúmeras vezes. Estou na torcida aqui para que essa história vire livro, sério mesmo!

    Vou ver se consigo fazer com que minha irmão leia e comente por aqui, já que ela adora linguagem culta e narrativas machadianas, rsrs…

    E que pena, estou me aproximando do final, acho que depois desse só restarão mais dois capítulos para minha tristeza. 😦 Mas se puder, passe a continuação para mim via e-mail. Vou adorar a ler essas partes, se assim você quiser, e te mando alguns comentários pelo e-mail. Claro, se for possível, todavia, se não for… Aguardarei o lançamento do livro com grande ansiedade. 🙂 No mais, abraço! o/

    • Vou ver se consigo fazer com que minha irmã leia e comente por aqui… Vejo que tenho que comentar com mais calma, shaushaushau… Tomara que a Claudiane leia.

      • Bem, eu digo que, quanto mais leitores, melhor, hehehehe! Se conseguir convencer sua irmã, espero que ela goste. 🙂

        Assim como ela, também curto bastante a escrita do Machado de Assis. É um gênio da literatura brasileira.

    • Vlw pelo comentário, Claudeir! Vou responder ponto por ponto.

      Primeiro, obrigado pelos elogios. Que bom que o ritmo está agradando. Eu fico tentando mudar ligeiramente a construção das frases ao longo do texto, justamente para não cansar o leitor. Claro que meu objetivo principal é contar a história que tenho para contar, mas também gosto muito de trabalhar a forma – a escrita, o estilo. 😉

      Sim, vai haver um mapa. Tenho seus contornos mais ou menos delineados na cabeça. Significa que, quando escrevo que no Ocidente é assim e no Oriente é de outra maneira, para mim faz sentido, porque tenho uma noção da geografia desse mundo, mas sei que o leitor vai precisar de algo mais palpável para acompanhar. Por ora não me preocupei com passá-lo para o papel, mas eventualmente o farei.

      Sim, o capitão Hidëo é um Cavaleiro Escarlate diferente dos demais. É mais enigmático, e seus motivos são bem complexos. Algo a respeito será explicado no Capítulo 9.

      Sim, quando eu terminar o primeiro livro, tenho planos de compartilhá-lo com quem leu até o Capítulo 9. Vou avisar quando estiver pronto. Além de necessários, leitores-beta sempre são bem-vindos, particularmente leitores tão entusiasmados quanto você.

      Abraço! o/

      • Hehehehe… Agora estou mais empolgado ainda com essa história. Leitores beta, não sei por qual motivo sou assim, mas quando eu pego para ler uma história vou até o fim do mundis. 🙂 E obrigado por responder aos comentários. Hoje mesmo farei umas propagandas pro teu romance. Porque em termos de fantasia eu não tenho muita sorte pra escrever não, shaushau… Tanto que parei com os sete enigmas. No mais abraço!

      • Sou eu quem tenho de agradecer. O que todo (pretenso) escritor deseja é ser lido, por isso lhe agradeço sinceramente.

        E responder a comentários também é sempre legal. É algo que me ajuda a organizar as ideias.

        Acho que vc não deve subestimar seu potencial para escrever fantasia. Primeiro porque, como já disse, vc tem uma criatividade fenomenal. Segundo porque o único método existente para refinar a escrita é ler muito e praticar bastante, e sei que vc tem feito ambas as coisas. E terceiro porque o gênero da fantasia é tão amplo, que fica ligeiramente difícil fugir dele. Na verdade, acho que o melhor é não se preocupar com essa questão de gênero e simplesmente escrever: conte as histórias que vc deseja contar, sem se importar se elas se enquadram no gênero A ou B. “Os Sete Enigmas” serviu como valiosa experiência, independentemente de ser fantasia; deixe o texto descansando e, mais tarde, se tiver interesse, volte a tocar nele. 😀

        Abraço! o/

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