Amor e paixão

Lua (httpslowbuddy.comphotographymoon-pictures)

Dia dos Namorados. Cabe uma homenagem.

Como não consigo ser tão romântico em minha escrita quanto eu gostaria, deixo o presente post a encargo de alguém que julgo mais habilidoso nesse quesito: Patrick Rothfuss, autor de O nome do vento. Abaixo seguem uma citação muito conhecida dele, sobre o amor cego, e depois um dos trechos que mais adoro de seu romance.

Sobre o amor cego (por um alaúde): “Portanto, sim, [o alaúde] tinha suas falhas, mas que importância tem isso, quando se trata de questões do coração? Amamos aquilo que amamos. A razão não entra nisso. Sob muitos aspectos, o amor insensato é o mais verdadeiro. Qualquer um pode amar uma coisa por causa de. É tão fácil quanto pôr um vintém no bolso. Mas amar algo apesar de, conhecer suas falhas e amá-las também, isso é raro, puro e perfeito” (O temor do sábio, p. 58).

E eis o trecho, referente à primeira vez em que Kvothe se encontra com Denna, quando ainda está viajando rumo à Universidade:

Denna (httpbrowse.deviantart.comartDenna-315564037)

Denna

Conversamos durante horas até tarde da noite. Nenhum de nós mencionou seu passado. Senti que havia coisas que ela preferia não falar e, por seu jeito de evitar me fazer perguntas, creio que ela achou o mesmo. Assim, falamos de nós mesmos, de fantasias agradáveis e de coisas impossíveis. Apontei para o céu e lhe disse nomes de estrelas e constelações. Denna me contou histórias sobre elas que eu nunca tinha ouvido.

Meus olhos se voltavam constantemente para a jovem. Ela ficou sentada a meu lado, os braços envolvendo os joelhos. Tinha a pela mais luminosa que a Lua, os olhos mais vastos que o céu, mais profundos que a água, mais escuros que a noite.

Aos poucos, comecei a me dar conta de que a estivera fitando, sem palavras, por um tempo incalculável. Perdido em meus pensamentos, perdido na visão dela. Mas seu rosto não pareceu ofender-se nem divertir-se. Era quase como se ela estudasse as linhas do meu rosto, quase como se esperasse.

Tive vontade de segurar sua mão. Tive vontade de roçar sua face com a ponta dos dedos. Tive vontade de lhe dizer que ela era a primeira coisa linda que eu via em três anos. Que a visão dela, bocejando no dorso da mão, era o bastante para me deixar sem fôlego. Que, em certos momentos, eu perdia o sentido de suas palavras no doce flauteio de sua voz. Tive vontade de dizer que, se ela estivesse comigo, de algum modo, nada jamais poderia tornar a correr mal para mim.

(…)

Ela recendia a poeira da estrada, mel e àquele cheiro que paira no ar segundos antes de uma chuvarada de verão.

Nenhum de nós falou. Fechei os olhos. A proximidade dela era a coisa mais doce e mais pungente que minha vida já conhecera. (O nome do vento, p. 241-242)

Como disse, não me considero lá muito romântico (e a Denna ainda me irrita), mas desconfio que admirarei esse trecho eternamente, com olhos vidrados e incansáveis. Espero que o apreciem tanto quanto eu. 🙂

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5 respostas em “Amor e paixão

  1. Muito bom reler esse trecho. Essa relação da Debba com o Kvote também as vezes me dá nos nervos, por culpa de ambos, ela é escorregadia e ele ainda é fraco no amor. Talvez Feluriana tenha mudado isso por completo, fazendo do garoto o maior dos amantes.

    • Né! Mais de mil páginas e ainda não rolou nada de muito notável entre ela e o Kvothe. É meio frustrante até pro leitor.
      Sim, acho que as lições de Feluriana deixaram o Kvothe mais experiente. O problema é que ele ainda tem receio de espantar a Denna… Ele é cuidadoso, ok, cortês também, mas podia ser menos enrolado! XD

  2. Esse trecho me deu uma vontade incontrolável de re-ler O nome do Vento. Foi esse o livro que me “introduziu” no mundo da literatura. É uma daqueles histórias que a gente pode ler varias vezes e, mesmo assim, consegue sentir aquele prazer inexplicável.

    O nome do vento é o melhor livro que já li. O temor do sabio também foi legal, mas acho que nada consegue superar o primeiro livro dessa série.
    Agora é esperar o lançamento do novo volume. Ouvi dizer que só vem em 2015 ou 2014.

    • Obrigado por comentar, Mateus!
      Sim, também é um de meus livros preferidos. O Rothfuss tem uma prosa sensacional. A meu ver o enredo deixa um pouco a desejar, e como vc bem reparou acho que o ritmo cai ainda mais em alguns momentos de “O temor do sábio”. Mas acompanhei a saga até agora sem nem perceber quantas páginas estou lendo, de tão imersivo que é o jeito dele de escrever, hehe!
      Tenho a impressão de que ele é perfeccionista demais. Pelo que me lembro, o Rothfuss já tinha a história toda pronta do início ao fim, mas nas revisões ele tem adicionado cenas, personagens, talvez até tramas. E aparentemente ele se esmera nos retoques. Acho isso ótimo e tal, mas… o leitor nota que ele reservou uma quantidade ENORME de desfechos e de explicações para este último livro (se é que vai continuar sendo uma trilogia). É meio arriscado, porque a expectativa que se cria é exageradamente alta, especialmente quanto aos mistérios envolvendo o Chandriano e os Amyr. Tem que ser algo de explodir a cabeça! XD
      Resta esperarmos 2014 ou 2015…

    • Esse livro é sensacional mesmo, é um dos melhores de fantasia, se não o melhor, que considero em minha lista. Mas é com enorme pesar que digo: Já se passaram 2014 e 2015 e ainda nada de notícias sobre o lançamento do ultimo livro 😦

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