Além do Sol e da Lua – Capítulo 5

CAPÍTULO V- “Porque o mundo não é só feito de semielfos e daqueles que os odeiam”

Porque o mundo... 3

As agulhas de vento choviam de baixo para cima enquanto Seth caía. Um martírio às feridas abertas de seu rosto, que até então não o haviam incomodado. A dor durou ínfimos segundos, pois a gravidade tinha pressa em puxar o corpo para a terra. Teria quebrado-lhe alguns ossos, não fosse o terreno macio onde ela o assentou. O farfalhar da palha denunciou a descarada conveniência. Justamente no ponto em que fora obrigado a pular ou voltar, o monte fofo sob os pés dissipara as dúvidas do fugitivo.

E ali estava ele agora, naquela alameda escura que nem breu, escondida das cores vibrantes da Tiberia turística. Deserto. Tudo deserto, exceto por um trio de mariposas. Devia haver luz num canto, isso era certo. O cão sacudiu-se para arrebatar os fiapos ásperos da pelagem. O semielfo perscrutou a sombra e logo divisou um facho assustadiço. A flama vinha do leste, no entanto, e lá somente se estendiam muralha e portão fechado. “Trancado no covil até o amanhecer. Que animador…”

De repente o cachorro desatou a rosnar. Zombeteiras, as mariposas dançavam no lusco-fusco. Lao não resistiu ao desafio, e o menino foi-lhe atrás, trôpego, mas sorridente; não podia zangar-se com seu patrono, sem falar que a disposição dele era contagiante. Porém as mariposas não interromperam o baile, porque o cão não se lhes dirigiu. Embrenhou-se no burgo silencioso, labiríntico devido ao crescimento desordenado. O dono tentava acompanhá-lo, atrelado ao merecido voto de credibilidade depositado no animal. Contudo a distância entre os dois só fazia aumentar, a perna do garoto moderava-lhe a velocidade com fisgadas. E o cachorro desapareceu, o sorriso desapareceu, Seth desapareceu.

Dobrara uma esquina involuntariamente, à força de um ríspido puxão. Teria reagido à altura, dessa vez. Todavia deparou-se com Lao, de rabinho abanando e de língua salivante, e constatou estar fora de perigo. Surpreendeu-se ao ouvir um guizo familiar a tocar e ver os bigodes hirtos do Sr. Cahtóris. Surpresa maior foi notar que o velho batia-lhe continência… não, na verdade- na verdade pedia silêncio, de indicador em riste. Era difícil enxergar detalhes com clareza naquelas trevas profundas, mesmo para o semielfo. Então o comerciante sinalizou para que o seguissem. O cachorro assentiu prontamente. Rastros de baba nos ladrilhos.

O menino relutou. Até onde sabia, fora o vendedor quem convocara a Guarda Tiberiense, a mando de Ulderik. De modo algum o censurava por isso, já que ele não se imbuíra de más intenções, apenas pusera a própria vida acima da de um cliente. Egoísmo? Talvez, embora com certeza uma decisão razoável. A polissemia da noção de piedade era administrada estranhamente pelo semielfo: o mau sentido, a piedade que repudia e humilha, aplicava-a com dura reserva; o bom sentido, a piedade que poupa e ajuda, ofertava-a com ampla generosidade. Não conhecia muitas pessoas, mas arriscava formular juízos acerca delas, a partir da ótica do espectador alheio que era. Concluía ser, nesse quesito da compaixão, um num milhão. Não esperava testemunhar gentilezas que implicassem sacrifícios por parte de ninguém, inclusive o Sr. Cahtóris. Numa palavra: desconfiança… O comerciante podia muito bem estar a guiá-lo para os lobos.

Ora, mas Lao não parecia preocupado. Poder-se-ia mesmo dizer que estava todo satisfeito na companhia do velho. “E eu o teria deixado cair…”, reprovou-se o garoto. “Devo-lhe uma… Não. Devo-lhe várias.” E adiantou-se. Rastros de sangue nos ladrilhos.

Porque o mundo... 4O vendedor levou os caminhantes pelo circuito de ruas. Cinco minutos de marcha para o sudeste. Em frente tremulava um archote, junto a um batente.

– Ainda bem que seu cão tem orelhas e faro argutos. Senão não me teria percebido. – O negociante pusera em desuso o discurso frenético, específico de sua qualidade profissional. Articulava com mais calma, a voz agradável. Pegou o fogo e abriu a porta.

– Bem-vindos a meu lar. Entrem.

O cachorro não fez cerimônia e aconchegou-se folgadamente sobre um tapete felpudo. O Sr. Cahtóris não reclamou das patas sujas em seu piso. Acendeu os candelabros das paredes e por fim ateou chamas à lareira.

Parado na soleira, um Seth apreensivo fitava o velho aproximar-se para afixar a tocha no suporte.

– Sei o que receia, jovem mestre. E, devo acrescentar, receia com razão. Sinto muito… Suponho que seja difícil receber seu perdão. Talvez impossível… Nem sei se eu conseguirei me perdoar um dia. Reconheço ser um covarde. Entretanto, agindo abertamente, não teria sido capaz de ajudá-lo.

– …

– Atuei de longe. Tranquei a porta de minha loja para atrasar os guardas. E me demorei de propósito quando fui requisitá-los. Foi quando mostrei a seu cachorro a janela dos fundos. À espreita, sondei sua fuga pelos telhados e deduzi onde o senhorzinho teria de descer, ali postando palha…

– Foi o senhor? O senhor me ajudou?! O senhor…

– Não lhe peço que acredite em mim, mas aconselho que se hospede em minha casa. Ao menos por enquanto, até a poeira baixar.

O menino ainda demonstrava reticência. Olhou o cão: estava tão relaxado; parecia acenar-lhe com a cabeça, ressaltando que inexistiam ameaças, insinuando-lhe que avançasse sem medo. Entrou.

Mergulhara num mar de opulência. “Pelo visto, os negócios estão indo magnificamente bem.”

A sala de visitas do comerciante era setecentas vezes mais extravagante do que o armazém. Um conjunto de variadas tapeçarias cobria o assoalho: quatro peças de seda multicolorida, cheias de desenhos e minúcias; duas de lã trançada, de um vermelho berrante; e uma de pele de urso pardo, com cabeça e tudo, em que Lao se deitara. Nas paredes disputavam espaço os candelabros de ouro, em cuja traseira se acoplavam espelhos redondos de prata polida, dobrando a luminosidade; brasões esquisitos havia; escudos e espadas e lanças; quadros de castelos e florestas, vilas e campos. E retratos.

Um deles de longe se destacava. Uma enorme moldura prateada, cravejada de esmeraldas, adornava a figura de uma mulher. Uma mulher bonita. O vestido de camponesa, simples, voltava a atenção do observador para a face da dama. Aparentava vinte e pouquinhos anos. Os cachos loiros, os olhos verdes, o jeito mais meigo do que sensual. Beleza simplória. Contudo, dispunha de uma força arrebatadora. Seth sorriu à seriedade que ela devolvia, pois nela encontrou algo de que sentira falta o dia inteiro. Honra. A força que a moça emanava era honra. Uma mulher esbanjava honra, e com uma naturalidade fenomenal.

Solitário acima do consolo de mármore da lareira, o quadro estava protegido da confusão imperante no resto do aposento. Porque a decoração da sala não respeitava qualquer ordem estética. Onde houvesse um canto vazio, aí devia situar-se uma das caras excentricidades – essa era a lógica ilógica em vigor. Ou a maior parte daqueles itens estava a ser estocada para revenda, ou o vendedor era desleixado no tocante à organização doméstica. Ou então era simplesmente excêntrico – o clichê do ricaço excêntrico sempre tem sua plausibilidade.

Trancou a porta:

– Estará seguro aqui, jovem Seth. Ainda que os guardas desconfiem que algum morador esteja abrigando um semielfo, é necessária uma ordem investigatória para revistar residências, a ser expedida pelo Grão-Duque. E ele está fora da cidade. Não creio que a polícia ousaria forçar a entrada. Não durante o Festival Escarlate, quando a vigilância do público é incrementada pelo exagerado número de turistas. E as más línguas costumam pertencer às bocas desses aventureiros, esses caçadores de agitações e tumultos. Porém, se pelo acaso ou pela desfortuna, a Guarda resolver aqui adentrar, possuo duas ou três câmaras secretas em que você caberia com conforto. Utilizo-as para depositar mercadorias valiosas, raridades, mas não hesitaria em, numa emergência…

– Por que está me ajudando? – interrompeu o garoto rispidamente. Para o inferno as regras de etiqueta de Marco! Não fazia sentido aquele altruísmo! Certo, o Sr. Cahtóris tinha reduzido ao mínimo os riscos e custos de sua boa ação. Mesmo assim… Mesmo assim era incoerente que alguém tivesse desperdiçado tempo e energia para ajudar voluntariamente outrem. Aliás, para ajudar um semielfo! Seria piedade, a piedade em sua versão benigna? Bondade? Culpa, quem sabe? O que motivara o velho a tomar uma atitude que, por muitos, seria considerada estúpida? Estaria Seth enganado a respeito das pessoas?

Não! Ridículo, óbvio que não! Ao longo da vida só encontrara gente egoísta e preconceituosa. Mais de cem casos compatíveis com sua teoria, que mais de cem vezes fora ratificada! E agora um sujeito que mal conhecia vinha contradizê-la! Afogado em incertezas, o menino não conseguia sentir gratidão para com o comerciante.

– Por que me ajudou?! – repetiu inconformado.

– Bem, porque achei que devia… Ademais, segundo comentei, não me arrisquei ao fazê-lo… Não acha que eu devia tê-lo ajudado?

– O que importa o que eu acho?! Quero saber suas razões, senhor, as verdadeiras razões! Não me enrole, eu percebo quando o senhor mente!

– Muito bem… Ajudei-o porque não odeio semielfos. Alguns de meus melhores amigos são semielfos, muitos de meus fornecedores também, além de, provavelmente, a maior parte de meus fregueses encapuzados.

“Ora, que embromação! Ele espera mesmo que eu caia nessa?”, pensou.

– Escute, jovem mestre – suspirou. – Escute de uma vez por todas. Eu o ajudei. Sabe por quê? Porque o mundo não é só feito de semielfos e daqueles que os odeiam. Aprenda isso! É a verdade. Nem todos os elfos e homens são opressores, assim como nem todos os semielfos são oprimidos. O mundo não é tão ruim quanto você imagina! Deixe de ser teimoso e encare a verdade: as pessoas podem escolher o caminho sensato.

– …

– Sente-se. Vou pegar uns remédios e curativos. Vamos tratar de seus ferimentos – e saiu da sala o Sr. Cahtóris.

“Nossa, que tolice… Fui um tolo. Não devia ter generalizado tanto, não devia ter me posicionado tão… qual é mesmo a palavra? Categórico. Sim, não devia ter me posicionado tão categoricamente.” Uma mudança profunda operava-se em seu âmago, embora somente mais tarde o garoto se daria conta da magnitude dela. “As pessoas são diferentes, tenho de admiti-lo. Preciso conhecê-las antes de julgá-las. Falta-me moderação. Pois, apesar de a realidade ser insanamente cruel, não é cruel em absoluto. O Mestre estava errado sobre o mundo. Eu também estava…” Sua couraça de “adulto-durão-e-metido-a-lobo-solitário” desapareceu enfim. Para sempre. Não era o mundo inteiro contra ele, afinal. Nunca havia sido. Portanto ele não devia colocar-se indistintamente contra todo o mundo.

– Ai!

– Perdão.

O rosto de Seth estava encharcado por uma pomada verde-clara e de aspecto grosseiro. Exalava uma fragrância adocicada, mas enjoativa no médio prazo e àquela proximidade do nariz. O vendedor afirmara que a medicina aceleraria a cicatrização dos cortes e hematomas. Nas circunstâncias, o menino não tinha do que reclamar…

– AI! AI-aiai! Pare! Ai-ai! Ai!

– Não compreendo. Se dói tanto, como foi capaz de me alcançar?

– Ai! Não sei. Sinceramente (ai!) a ferida não me incomodava tanto até o senhor resolver curá-la. Talvez fosse melhor deixá-la como está e (ai!) esperar meu corpo convalescer naturalmente.

– Não, não. É importante que receba os cuidados adequados. Veja como está feia…

De fato a dardejada no tornozelo fora mais danosa do que o cogitado: o machucado era fundo e só se alargara com as marchas e queda. A pressão naquele ponto fora constante e significativa, pois caminhar implica justamente empurrar os pés para baixo, arrastando-os e a tudo o que os acompanha – ossos, músculos e tendões – contra o atrito do solo. Esforço flagelante. Pior do que isso: tosco e rugoso, o couro do sapato sempre a roçar-lhe na chaga contribuíra para um grotesco resultado. Ao descalçar-se, o semielfo vislumbrara a aparência mortificada da pele e a mistura asquerosa de pus, sangue seco, suor e sujeira.

Não era para menos que a ferida não o incomodara muito. A inflamação ocasionara uma espécie de anestesia local. E não era para mais que, agora, uma ardência excruciante percorria-lhe a perna, como se seu coração houvesse para ali se descolado. Limpa a improvisada proteção de líquidos e excreções, o comerciante pôs-se a despejar aguardente no ferimento!

– Para neutralizar as infecções.

Frente àquela tortura, uma infecçãozinha não soava perigosa. Com os nervos em chamas e os poros em delírio, o menino era constrangido a apelar para aqueles gemidos de bebê, a fim de controlar prováveis reflexos inconsequentes – como, por exemplo, estilhaçar a garrafa de álcool na cabeça do Sr. Cahtóris. Felizmente descobriu que morder a compressa de água quente, cedida para que lavasse a cara, produzia um alívio igualmente eficaz, mas consistia em método sem dúvida menos comprometedor.

O velho enfaixava a perna do hóspede. As ataduras eram um acalento não apenas pela textura suave, mas também porque prenunciavam a aposentadoria do Sr. Cahtóris-curandeiro. O trabalho acabado, dispensado estava de seus serviços.

– Jovem mestre… Não pude deixar de notar. Uns arranhões em sua face e pescoço não foram causados pelas barbaridades dos homens em minha loja. Nem me parecem derivar das espadas da Guarda Tiberiense ou de seus dardos. Definitivamente. Sei que não é da minha conta, mas não consigo deixar de associar essas escoriações à capa toda rasgada que você portava… Atrevo-me a perguntar: vivenciou alguma outra desventura hoje?

“Os espinhos, quando dos Cavaleiros…”

Com efeito, a percepção do comerciante era fora do comum. Uma coisa é correlacionar premissas em torno de uma conclusão ululante; outra bem diferente é adivinhar a conclusão com nitidez tamanha, que se presume tê-lo feito à revelia de qualquer premissa ou silogismo. Isto é, uma coisa é ajuntar peças de quebra-cabeça na construção de uma imagem discernível; outra coisa é ter tal imagem gravada na cabeça, una, como se nunca houvesse sido dividida em pedacinhos encaixáveis.

Era esta a impressão que a indagação inculcava em Seth. Sua espontaneidade tornava-a forçada. Forçada demais, como se o vendedor dispusesse de plena consciência da jornada do menino, de todos seus percalços, os mínimos detalhes, e, no entanto, pretendesse esconder o que sabia. Seus motivos de exposição pareciam bobos (“Quem daria a menor importância a estas miúdas marcas de espinho?!”), e a questão, inusitada. E o tom incisivo com que fora abordada, mal disfarçando o interesse do Sr. Cahtóris. Como se ele de tudo soubesse, mas, querendo salvar-se de explicar como sabia o que sabia, decidira tocar no assunto com maior discrição. Como se ele houvesse estado lá, no arbusto, ao lado do semielfo, e quisesse agora ouvir o relato do protagonista sobre o incidente.

Exato, como se houvesse estado lá, a presenciar cada cena. Absurdo, claro, mas se mesmo a já absurda possibilidade de leitura de mente merecia ser descartada, o que sobrava? Pois o garoto, a despeito da memória prodigiosa – em espelho à de Ddiäna e que, sempre que desejava, brindava-o com recordações prazerosas de sua mais tenra idade, à época dos pais ainda viventes –, só se lembrara do evento após o vendedor ter-lhe cutucado os neurônios com a pergunta, reavivando aquela reminiscência reprimida.

“Como se ele tivesse estado lá. O que é impossível, não?”, cismava mudo, ao tique de lamber a borda do lábio inferior, suja de pomada. Não era gostosa. Era salgada, amarga – amarga e salgada. Ah, o sabor era irrelevante! Estivesse o corte descoberto, sem remédio, nu às carícias e refregas do ar, ainda assim Seth estaria a lambê-lo. Aquela labuta ociosa permitia a seu intelecto conectar as engrenagens devidas.

“O cheiro de sangue… Os Cavaleiros… Atröxis… O capitão… Os olhos do capitão… Branco, branco. Calma, repassemos com calma. O capitão baixou o capuz e revelou os olhos pálidos, sem vida, e depois… nada! Em seguida os Cavaleiros já não estão mais lá! Que estranho, não me lembro de uns momentos. Nossa, será que fiquei tão assustado que não quis registrar um ou outro ponto? Não, minha memória é que vem me decepcionando… Que nem no armazém, quando topei com os anões um segundo turno e demorei em recordar que os tinha visto minutos antes. Droga! Eu, que testemunhei tudo a centímetros, tenho lacunas, sou eu quem não me lembro. E o Sr. Cahtóris parece saber tanto quanto um espectador da primeira fila. Sim, ele sabe, e acho que não buscou dissimular isso. Pelo contrário, tencionou se deixar transparecer no discurso, se bem que tenha sido diligente para evitar ser direto em excesso. Qual é o joguinho dele?”

“Muito bem, me recordo dos espinhos e da passagem da comitiva em vermelho. E de fato o acontecimento me consterna com dúvidas, mas planejava solucioná-las junto ao Mestre… Ah, tanto faz! Queria puxar o assunto, senhor? Está puxado! Vamos ver o que tem a dizer-me.”

O raciocínio durou meio minuto de silêncio constrangedor. O menino já ia recolhendo a língua para falar quando:

– Ah, jovem Seth, perdoe-me! – pronunciou-se o velho. – Não desempenhei o papel de anfitrião com presteza. Ai-ai, o senhorzinho deve estar faminto e sedento após tanto correr. Perdoe-me a negligência. Vou lhe servir um lanche e preparar um chá…

– N-não precisa se incomodar, senhor! – retorquiu Seth. Ou o vendedor interpretara erroneamente o tique do hóspede, julgando que demonstravam fome as lambidas numerosas, ou tratava-se de uma estratégia para com decoro desvencilhar-se da situação desconcertante.

“Hum, será que ele pensa que fiquei amuado por causa da pergunta, como se o achasse enxerido ou algo assim. Ora, ele se desculpa, mas eu também não fui lá muito educado.”

– Tenho pão e manteiga. E geleia. E queijo. E talvez um pouco de mel… Ah, e tenho biscoitos – enumerava o comerciante ao se deslocar à cozinha.

“Vou aceitar de bom grado a comida, estou mesmo com fome, afinal. Mas ele tinha de oferecer justo chá?! (Odeio chá, é bebida de enfermos!) Bem, ele não chegou a oferecer. Disse que ia preparar e pronto, não me dando sequer chance de opinar ou recusar. Droga. Agora vou ter de tomar, ao menos experimentar… Aaah, mas não vai funcionar! Eu não conseguiria enfiar essa coisa quente goela abaixo nem em leito de morte, nem depois de uma decana a vagar por um deserto escaldante! E será que agora soaria impolido comentar que água já estaria ótimo?” E então sobressaltou-se: “Não! Basta de bobagens! Há algo mais crucial a ser respondido aqui…”.

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12 respostas em “Além do Sol e da Lua – Capítulo 5

  1. É impressionante essa sua técnica de narração! Eu não entendo muito bem de português e literatura, mas me esforçarei para expressar o que penso sobre esse capitulo, porque seguirei lendo desde o começo. E ah propósito! Muito bom seu blog, está de parabéns! Gostaria de divulgá-lo na rede social que eu sigo, ask.fm, se assim você permitir.

    Está tudo bem detalhado, lógico que o que é bom para uns, não vai ser bom pra fulano ou sicrano, mas pra mim ficou perfeito, o cenário bem trabalhado e detalhado, logo no começo com as agulhas de vento, faz mesmo a gente imaginar um vendaval forte que vem de baixo para cima. Aproveitando que estou aqui, gostaria de saber qual a diferença entre debaixo e de baixo? É pra eu não cometer os mesmos erros de sempre em meus contos, e como sei que você é formado, então, seria muito bom ouvir sua explicação, pois eu até mesmo preciso disso para passar em alguns concursos públicos aqui. Eu agradeceria muito!

    Em fim, gostei de tudo que esse conto diz, sobre anões, semielfos e irei acompanhar desde o começo para entender melhor essa história desde o capitulo primeiro, porque está muito bom esse capitulo. Abraços! E boa noite, pois já era para eu estar dormindo de velho, hehehe…

    • Oi, Claudeir! Que prazer recebê-lo aqui no blog. Bem-vindo! 😀
      Que bom que gostou da narrativa e do layout do blog. Sim, realmente acho melhor iniciar a leitura a partir do prólogo, tudo fará mais sentido assim, hehe!

      Sobre o “debaixo vs. de baixo”, dei uma pesquisada e conclui o seguinte. Debaixo, junto, é advérbio de lugar e vai acompanhar verbos que indicam posição e em que o sujeito fica parado – por exemplo, “A caverna localiza-se debaixo da terra”, “As chaves estavam debaixo do assento”, “Ele se escondeu debaixo da mesa”. Acho que nesses casos o debaixo pode ser substituído por “embaixo” sem prejuízo. Agora, de baixo, separado, é a locução da preposição “de” (indicando origem, proveniência) com o advérbio baixo (palavra que também pode ser um adjetivo, por exemplo em “Ele é baixo”); vai ser usado com verbos de movimento (“Ele saiu de baixo do cobertor”), mas aí ele pode ser substituído por “de debaixo” (“Ele saiu de debaixo do cobertor”), que também é preposição + advérbio; ainda, o de baixo vai aparecer em conjunto com “para cima”, “de baixo para cima”. Acho que é mais ou menos isso.

      Ah, e claro que pode divulgar o blog no ask.fm! Aliás, adoraria que o fizesse! Toda divulgação ajuda. 🙂
      Abraços e apareça sempre!

      • Olha cara! Eu precisei e fiz questão de anotar esse seu comentário aqui no meu caderno, porque ficou muito bom, assim que li, logo pensei no professor Pasquale Cipro Netto, está de parabéns! Poxa, tomara que seu blog consiga atrair mais leitores, suas dicas de português me ajudaram pra caramba!

        Ou seja, “O mendigo morava debaixo da ponte”,

        O mendigo saiu de debaixo da ponte para morar debaixo da rodoviária.

        Naquele momento escondi-me debaixo da cama, com medo do bicho papão.
        Depois que ele se foi, sai de baixo (também pode ser de debaixo) da cama.
        Chuck Norris não cai de cima para baixo, cai de baixo para cima, kkk…

        Em fim, se tudo que eu disse estiver certo, olha, eu tiro meu chapéu. Acho que você deveria ter um canal no youtube explicando tirando duvidas, agora seguirei para o capitulo primeiro, não apenas para ler, mas para divulgar. Abraços!

        E sem querer ser chato, mas adoraria sua opinião num conto que joguei hoje no ONE, chama-se: “Os sete enigmas da Esfinge.” Abraços!

      • Que bom que pude ajudar! Sou uma negação quando se trata de explicar as coisas falando e sempre me enrolo em apresentações orais e afins. Em compensação, escrevendo tenho mais tempo para pensar e organizar as ideias antes de expô-las, daí a explicação tende a sair mais clara. Ainda bem que tudo o que eu disse fez sentido, hehe!

        Perfeitos seus exemplos, todos eles impecáveis – particularmente o do Chuck Norris, correto na gramática e corretíssimo no conteúdo! 🙂

        Pode deixar, lerei seu novo conto no ONE e comentarei ainda hoje.

        Abraços! o/

  2. Olá Cerveric, acho que disse tudo que tinha que dizer nos outros capítulos, mas aqui estou eu novamente. Não consegui ler este capítulo novamente por causa do tempo ): Mas hoje está tudo tranqüilo, hoje tenho tempo de sobra pra comentar nesse e no capitulo 6, já que estou gostando de Além do sol e da lua. Achei apenas este capitulo um pouco grandinho. Sabe, as vezes na empolgação a gente escreve muito e ai acaba saindao textos enormes como no caso o Homem da Mala Preta no capitulo três, hehehehe… Mas está muito bom! Continue escrevendo desta maneira. Se puder, comenta lá no novo texto de auto-ajuda que postei no ONE hoje. Chama-se Na forja da vida. No mais, abraço! E aguarde, comentarei mais agora, pois estou lendo alguns trechos.

    • Sim, um amigo meu já me sugeriu dividir este capítulo em duas partes. Pretendo fazer isso no original. Publicar aqui no blog tem me exigido repartir cada capítulo em X páginas, daí eu me forço a pensar onde fica melhor cortar, terminando uma página e iniciando outra – o que adianta meu trabalho de, eventual e posteriormente, dividir o capítulo em partes menores. Enfim, sua dica é muito válida, e agradeço a leitura.

      Lerei e comentarei lá no ONE. É que de ontem para hoje me ocupei com um trabalho e com a escrita de um capítulo intermediário que pretendo inserir entre as partes 1 e 2 do capítulo 6.

  3. Não conhecia muitas pessoas, mas arriscava formular juízos acerca delas, a partir da ótica do espectador alheio que era. – Nesse trecho você conseguiu dar informações importantes a cerca da psicologia desse personagem. Ou seja, ele tinha a mania de fazer julgamento dos outros. Achei interessante! Sem falar na pergunta que você deixa para nos fazer pensar. Egoísmo?

    Tenho uma pergunta curiosa para fazer-te. Gostaria de saber se os semielfos são resultados de uma mistura entre elfos e humanos? Acho que você abordará isso mais adiante. Curiosidade!

    • Sim, isso é abordado mais adiante.
      Beeem mais tarde vai se explicar (e o Seth e o Berek vão perceber) que nem sempre de uma união entre elfos e humanos é gerado um semielfo. A biologia/genética envolvida dá resultados mais variados.

  4. Sabe cara, curto esses anões de Além do Sol e da lua. Às vezes eu pesquiso sobre ufologia e mitologia e me pergunto se os povos do passado tiveram algum tipo de contato de quinto grau com alienígenas pequenos e baixinhos, retratando-os na forma de anões na mitologia. Hehehe… Apenas um pensamento que tenho quando vejo ou estudo sobre as teorias dos Astronautas Antigos.

    No mais, partindo para o capitulo 6 para lê-lo agora.

    • Hehehe, bem, eu já sou meio cético quanto a essas teorias.
      Lembro-me de ter lido, há muito tempo, um artigo no site Valinor que comentava terem os anões (os do Tolkien, mas a hipótese se estenderia à mitologia nórdica também) sido inspirados nos vikings, em razão da aparência similar (barbados, com elmos de chifres e portando machados). Agora já não sei se tornaria a encontrar esse artigo…

  5. Estive sem tempo, mas agora volto a acompanhar a saga.
    .
    É maravilhosa, tenho aprendido muito com seu romance, pois ele tem algo que preciso incluir em minhas Letras Histórias: Profundidade!
    .
    Tenho uma pergunta: Essa imagens são suas? Combinam perfeitamente com o texto.
    .
    Seguirei para a próxima parte.
    Abraço.

    • Cara, muito obrigado por estar acompanhando e pelas palavras. 😀

      E que ótimo que você gostou! Tinha medo de que essa parte ficasse meio arrastada e densa demais, mas acho que deu para “aguentar” e até aproveitar, hehe! Fico feliz com isso. 🙂

      Não, as imagens não são minhas. É que preciso tirar um tempo para adicionar a cada uma o link da página do respectivo ilustrador. Quando a autoria delas é evidente (por exemplo, quando eu as cato no Deviantart), tenho colocado o link aparecendo quando você passa o cursor do mouse sobre a imagem. Mas não é o bastante. Tenho ainda que linká-las à página original. É que só mais recentemente descobri como fazer, mas aí eu já tinha várias imagens postadas… Como guardei apenas as imagens, mas não os links de cada uma, vai dar certo trabalho encontrá-los, mas aos poucos vou ajeitar isso.
      Ah, sim, tenho buscado imagens que se ajustassem ao texto, como se fossem ilustrações da história mesmo – o que tem dado exigido uma pesquisa meio demorada, mas gostei do resultado. 😉

      Abraço!

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